Janeiro Branco: Burnout em Profissionais de Segurança

Janeiro Branco: Burnout em Profissionais de Segurança

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  • A rotina de quem trabalha com segurança da informação pode levar ao burnout: este ambiente reúne pressão contínua, alta responsabilidade (decisões que afetam a receita e a reputação), excesso de tarefas operacionais e escassez de mão de obra sênior (aumento da carga de trabalho). Esses fatores, combinados, elevam o estresse crônico.

  • Os primeiros sinais de burnout são: fadiga persistente, perda de foco, cinismo ou apatia pelo trabalho, aumento de erros operacionais, isolamento social e alterações de sono ou de apetite.

  • A diferente entre estresse e burnout: o estresse é uma reação aguda à sobrecarga, enquanto o burnout é um quadro crônico que envolve exaustão emocional, distanciamento e queda da eficácia profissional.

  • O tratamento: deve combinar uma avaliação clínica (psicólogo/psiquiatra), terapias, ajustes no ambiente e rotina de trabalho, e suporte da organização.

O contexto da Segurança da Informação

Trabalhar com segurança cibernética é conviver com incerteza permanente. Alertas, prazos apertados, cenários imprevisíveis e expectativas por respostas imediatas criam um ambiente de pressão contínua.

Mas esse estresse, quando constante, pode trazer problemas.

Pesquisas recentes mostram que profissionais de segurança estão entre os grupos com grandes chances de esgotamento mental ligado ao trabalho, o famoso burnout.

Isso significa que os níveis elevados de estresse, pensamentos de deixar a função e sensação de sobrecarga são cada vez mais comuns.

Neste artigo, você irá entender quais são os sinais e como se prevenir contra o burnout.

Disclaimer: a Vantico não é especialista em saúde mental. Caso você se identifique com os sintomas abaixo, busque ajuda de profissionais especializados, como psicólogos. Caso precise de apoio imediato, ligue 188 ou acesse https://cvv.org.br/ .

Segurança da Informação e Saúde Mental em 2025

Estudos recentes mostram um cenário preocupante para os profissionais da segurança da informação.

Uma pesquisa da TechRadar revelou que 60% dos profissionais de TI e segurança consideram deixar o emprego devido ao aumento das ameaças cibernéticas, com muitos relatando sentimentos de desesperança e sobrecarga.

Muitos, inclusive, se sentem pessoalmente responsáveis pela possibilidade de um incidente acontecer.

Encontrar vulnerabilidades com urgência, expectativas irreais, pressão constante e senso de responsabilidade pela segurança de redes inteiras são alguns dos fatores.

Tudo isso cria um cenário perfeito para o desenvolvimento do burnout.

O que é Burnout?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o burnout como um fenômeno ocupacional, resultado de estresse crônico não gerido no trabalho.

Ele é caracterizado por três fatores principais: exaustão (física e mental), cinismo ou distanciamento do trabalho, e redução da eficácia profissional.

Ou seja, não é apenas “cansaço”: é um estado que altera o comportamento, julgamento e motivação da pessoa.

Alguns dos sinais mais comuns são:

  • Fadiga persistente, que não melhora com descanso;
  • Irritabilidade, cinismo ou apatia em relação às tarefas;
  • Aumento da procrastinação;
  • Negatividade;
  • Queda de desempenho, muitos erros e dificuldade de atenção;
  • Isolamento social e dificuldade de desligar após o expediente;
  • Problemas físicos associados (sono, dores, alteração de apetite).

Caso você esteja se sentindo assim, ou tenha notado essas características em um colega, é importante ligar um sinal de alerta e buscar ajuda — tanto da sua liderança, se possível, quanto de profissionais especializados.

E agora, o que fazer?

O tratamento mais eficaz combina intervenções individuais e organizacionais.

Na parte individual, terapias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) podem ajudar, uma vez que trabalham mecanismos de pensamento, recuperação do sono e estratégias de enfrentamento.

Além disso, caso haja sintomas mais graves em decorrência do burnout, como ansiedade e depressão, pode ser necessário tomar alguma medicação. Nesse caso, consulte um neurologista ou psiquiatra.

Além disso, estabeleça limites claros entre trabalho e vida pessoal, reduzindo notificações fora do horário e tendo períodos de descanso e lazer (finais de semana, feriados, férias).

Caso ainda não faça, praticar atividades físicas também é fundamental, como academia ou caminhada.

Já no nível organizacional, você pode pedir apoio da sua liderança (ou, caso você seja da liderança, oferecer esse apoio) da seguinte forma:

  • Ajuste de carga de trabalho, pelo menos temporariamente;
  • Revisão de processos;
  • Novas contratações;
  • Alinhamento de expectativas;
  • Definição de metas realistas e alcançáveis.

Como se prevenir?

Talvez você não apresente nenhum dos sinais que listamos. Porém, considerando o atual cenário da área, é importante ficar atento também a algumas formas simples de prevenção:

  • Se possível, converse com sua liderança sobre excesso de carga de trabalho, necessidade de novas contratações, revisão de processos, alinhamento de expectativas, entre outros.
  • Determine limites claros entre horário de trabalho e descanso.
  • Dê prioridade para um sono de qualidade, alimentação saudável e prática constante de atividades físicas.
  • Caso trabalhe de casa, tente manter um espaço separado para o trabalho, de forma que consiga se desligar verdadeiramente após o expediente.

Lembre-se: o burnout não é um sinal de fraqueza ou um demérito. Muito pelo contrário, pode acontecer com qualquer pessoa. Esse é somente um sinal de que sua relação com o trabalho está desbalanceada e que algumas medidas são necessárias para melhorar.

FAQ: Perguntas frequentes sobre Burnout em profissionais de segurança da informação

Burnout é a mesma coisa que estresse?

Não. O estresse é pontual, depende das circunstâncias, e geralmente não é acompanhado de outros sintomas graves. Já o burnout acontece em decorrência do estresse crônico, trazendo consigo a exaustão, perda de propósito e queda de produtividade.

Quanto tempo leva para se recuperar?

Depende da pessoa e do nível de estresse. Pode demorar desde algumas semanas até vários meses.

Como identificar burnout em colegas?

Observe mudanças comportamentais: ausência de entusiasmo, atrasos, erros crescentes, isolamento e comentários frequentes sobre exaustão.

Ferramentas e automação resolvem o problema?

Ferramentas ajudam, reduzindo o trabalho manual e os falsos positivos, mas não substituem políticas de trabalho e suporte humano.

Quando procurar ajuda profissional?

Ao perceber sintomas persistentes (insônia, desmotivação, queda de desempenho) que não melhoram com descanso.

O que líderes podem fazer no dia a dia?

Promover check-ins, garantir pausas, revisar carga de trabalho e acolher relatos, e ter uma cultura aberta ao diálogo.

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Foto de Júlia Valim

Júlia Valim

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