Engenharia Social Orientada pelo Adversário

Engenharia Social em 2026: Táticas, Riscos e Como Reagir

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Resumo:

  • O que é engenharia social: método de manipulação que explora fatores psicológicos para obter acesso a dados e sistemas, usando canais como e-mail (phishing/spear phishing), SMS (smishing), ligação (vishing), pretexting e pop-ups/sites fraudulentos (scareware).
  • Por que é um risco crescente: o elemento humano continua presente em muitos incidentes, e a combinação com IA (mensagens personalizadas, deepfakes) torna campanhas cada vez mais perigosas.
  • O que é engenharia social orientada pelo adversário: abordagem que prioriza qualidade sobre quantidade, buscando ganhar e manter acesso sem detecções, com foco em comprometimento, escala e persistência.
  • Etapas de uma campanha de engenharia social: Reconhecimento (OSINT); Infiltração; Ataque; Exploração.
  • Diferenças entre as duas abordagens: a versão tradicional foca em volume, enquanto a adversary-driven foca em pretextos críveis, ritmo gradual e manutenção do acesso sem detecção.
  • Impacto da IA nas campanhas: amplia capacidade de criar mensagens altamente personalizadas e torna pretextos e deepfakes mais difíceis de distinguir, elevando a complexidade das investigações.
  • Como as simulações devem ser conduzidas: campanhas críveis e orientadas por risco fornecem dados reais para treinar equipes e ajustar controles. Por isso, a Vantico prioriza simulações de phishing que reflitam pretextos eficazes e impacto verdadeiro.

O que é Engenharia Social?

A engenharia social é um método de manipulação que visa obter acesso a dados confidenciais, a sistemas, entre outros.

Apesar de o objetivo ser o acesso a recursos digitais, ela explora psicológico e emocional das pessoas, buscando gerar confiança por meio de mensagens manipuladas e previamente arquitetadas. Por isso o nome “engenharia social”.

Ela pode acontecer por diferentes meios, como:

  • E-mail: chamada de ‘phishing’ ou ‘spear phishing’.
  • SMS: smishing.
  • Ligação: vishing.
  • E-mail, ligação ou pessoalmente, mas em que o criminoso se passa por um colega de trabalho: pretexting.
  • Pop-ups ou sites fraudulentos: scareware.

Essa é uma prática muito usada por criminosos para obter acesso a sistemas e dados de grandes organizações. Segundo a Verizon, em 2025 60% dos incidentes envolveram o elemento humano.

Isso, em conjunto com as ferramentas de Inteligência Artificial, que criam mensagens extremamente personalizadas e, até mesmo, os deepfakes, gerou um cenário ainda mais preocupante para as empresas.

Sendo assim, uma prática comum é a prática de contratar um fornecedor para realizar testes de segurança ligados à engenharia social.

Esses testes envolvem a coleta de informações online para a produção de campanhas de manipulação, com o propósito de levantar dados e, futuramente, orientar treinamentos e outras medidas de proteção.

É neste contexto que entra a engenharia social orientada pelo adversário.

O que é Engenharia Social orientada pelo adversário?

A engenharia social orientada pelo adversário (adversary driven) é aquela cujo objetivo é ganhar e manter o acesso não autorizado, sem detecções, assim como a que prioriza a qualidade do que a quantidade nas campanhas.

O sucesso de uma campanha de engenharia social depende de alguns pontos:

  • Se a mensagem foi capaz de convencer o alvo sobre sua autenticidade;
  • Se o alvo realizou uma ação (ex.: fornecer credenciais de acesso);
  • Se, após a ação realizada, o alvo continuou sem perceber a fraude e não alertou ninguém a respeito.

Para que tudo isso ocorra, é necessário ter um cuidado especial em cada uma das etapas de elaboração do ataque. Esse cuidado é orientado justamente pelo comportamento e dados disponíveis do usuário.

Ou seja, durante o teste, cada uma das etapas será ainda mais profundamente analisada e arquitetada, com o objetivo de maximizar as chances de sucesso da campanha.

Etapas da Engenharia Social

Para a elaboração de uma campanha bem-sucedida, é preciso passar por algumas etapas:

  1. Reconhecimento: etapa de pesquisa sobre o alvo, coletando informações disponíveis publicamente, em redes sociais, na darknet, entre outros (OSINT).
  2. Infiltração: com as informações coletadas, o atacante cria a mensagem e inicia o contato, visando convencer a vítima da autenticidade de seu conteúdo.
  3. Ataque: momento em que o alvo efetivamente envia as informações solicitadas.
  4. Exploração: depois de conseguir o acesso, o atacante utiliza-o para escalar privilégios, acessar dados confidenciais, roubar informações, entre outros.

Para evidenciar as diferenças entre fornecedores que utilizam a engenharia social tradicional e a engenharia social orientada pelo adversário, criamos uma tabela comparativa:

Etapa Abordagem tradicional Abordagem adversary-driven
Objetivo Medir suscetibilidade da equipe (taxas de clique, envio de credenciais) e produzir estatísticas. Alcançar o comprometimento do alvo (acesso/escala/persistência) e testar a capacidade de detecção e investigação.
Alvos São frequentemente limitados a uma lista fornecida pela empresa. Preferência por escopo amplo ou aberto: identifica alvos via OSINT para maximizar oportunidades e realismo. Não limita quem pode ser alvo.
Reconhecimento (OSINT) Foco em apontar superfícies expostas relevantes ao escopo. Mapeamento profundo de SaaS usados, perfis, relações e caminhos alternativos para criar pretextos críveis.
Desenvolvimento do pretexto Tendência a usar pretextos simples e padronizados (ex.: “você ganhou”). Pretextos cuidadosamente confeccionados, acreditáveis e acionáveis; foco em responder ao “por que” do alvo sem levantar suspeitas.
Preparação de recursos Recursos criados rapidamente (domínios/landing pages novas), com pouco investimento em reputação. Construção deliberada de reputação para evitar bloqueios e filtros.
Mecanismos de entrega Normalmente um canal (e-mail) ou campanhas em massa, com foco em volume. Podem ser utilizados múltiplos canais encadeados, caso isso contribua para a credibilidade da mensagem.
Volume da campanha Alto volume e rápida execução para obter métricas, o que gera maior probabilidade de detecção. Baixo volume, paciente e gradual, para reduzir alertas e permitir ajustes ao pretexto conforme resposta do alvo.
Pós-comprometimento Pode não buscar persistência, apenas uma prova técnica do comprometimento do sistema. Foco em manter o acesso, mover-se lateralmente e evitar alertas, ou seja, permanecer com acesso sem detecção.
Taxa de sucesso É medida por número de cliques e de credenciais coletadas. É medido pelo alcance do objetivo estratégico e pela capacidade de não ser detectado.

 

Benefícios da Engenharia Social orientada pelo adversário

Especialmente com o uso de recursos de inteligência artificial (IA), os criminosos, e suas campanhas, estão se tornando cada vez mais complexos, sofisticados e difíceis de identificar.

Por isso, o uso da engenharia social orientada pelo adversário se destaca como uma técnica mais eficiente e realista para identificar o possível impacto deste tipo de ataque na organização.

Alguns dos benefícios do uso desta abordagem para as empresas são:

  • Maior taxa de sucesso
  • Maior realismo e credibilidade
  • Menor detecção
  • Persistência e exploração prolongada
  • Melhor aproveitamento da inteligência (OSINT
  • Custos operacionais reduzidos a longo prazo (campanhas mais eficientes)
  • Resistência contra contramedidas simples
  • Maior impacto
  • Flexibilidade tática
  • Melhor ROI para atacantes de perfil avançado

Aqui na Vantico, realizamos a Simulação de Phishing e priorizamos sempre por campanhas críveis, eficazes e que tragam dados reais para orientar as estratégias de proteção e treinamento da empresa.

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Perguntas frequentes sobre Engenharia Social

01. Como prevenir e reduzir o risco de engenharia social na minha organização?

Combine controles técnicos (como MFA), processos (privilégio mínimo) e treinamento contínuo com simulações baseadas em risco (simulação de phishing).

02. Como medir se treinamentos e simulações de engenharia social estão sendo eficientes?

Faça testes frequentes e compare os KPIs. Isso irá indicar a progressão da conscientização da equipe.

03. O que caracteriza uma campanha “adversary-driven” e por que ela costuma ser mais difícil de detectar?

Engenharia social orientada pelo adversário usa OSINT ainda mais extenso, pretextos muito críveis e ritmo gradual, o que diminui as chances de detecção e alcança objetivos estratégicos.

04. Qual é o momento certo de começar a testar engenharia social?

O momento “certo” depende de maturidade e intenção. Comece quando tiver controles básicos e capacidade de corrigir achados.

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Júlia Valim

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