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O Estado da Segurança Ofensiva no Brasil em 2026

02/07/2026 19 min de leitura
O Estado da Segurança Ofensiva no Brasil em 2026

Resumo:

  • O Brasil é o 7º maior alvo de ataques cibernéticos no mundo e o mais atacado da América Latina, concentrando cerca de 84% das tentativas ofensivas da região.
  • O mercado de segurança ofensiva brasileiro amadureceu com empresas como Tempest, Conviso, DeepStrike, Redbelt Security e Vantico.
  • Os ataques se tornaram mais sofisticados com o uso de IA, com aumento de 219% de menções a ferramentas maliciosas baseadas em IA em fóruns clandestinos.
  • O setor financeiro continua sendo o principal alvo, respondendo por mais de 40% dos incidentes em 2024.
  • O Brasil enfrenta um déficit crítico de talentos, com um gap de 750 mil especialistas em cibersegurança.
  • Para 2026, a tendência é de consolidação do mercado, adoção de Zero Trust como pré-requisito de compliance.

Ao mesmo tempo em que figura entre os países mais atacados do mundo, o mercado brasileiro de segurança ofensiva (que inclui serviços de pentest, red teaming, bug bounty e simulação de adversários) atravessa um momento de expansão acelerada e profissionalização sem precedentes.

Em 2025, o país foi o sétimo maior alvo de ataques cibernéticos globalmente e o mais atacado de toda a América Latina, concentrando cerca de 84% de todas as tentativas ofensivas da região. 

Só no segundo semestre de 2025, foram registrados mais de 470 mil ataques DDoS contra alvos brasileiros. Os prejuízos com fraudes digitais ultrapassaram R$10,1 bilhões em 2024, a uma frequência média de uma nova tentativa de fraude a cada 2,2 segundos. O setor financeiro, por sua vez, sofreu o maior ataque já registrado ao seu ecossistema digital.

Diante desse cenário, o mercado de segurança ofensiva brasileiro amadureceu significativamente. Empresas como Tempest, Conviso, DeepStrike, Redbelt Security, Vantico e outras consolidaram portfólios completos de pentest, red team e inteligência de ameaças. O modelo de bug bounty, embora ainda menor comparado ao mercado norte-americano, ganhou tração com plataformas nacionais como a BugHunt.

Este relatório analisa o panorama completo da segurança ofensiva no Brasil: o ambiente de ameaças, o ecossistema de serviços, o papel da regulamentação (LGPD e agenda da ANPD), o déficit de talentos, o impacto da inteligência artificial e as tendências que moldam o setor em 2026.

Panorama de Ameaças Cibernéticas no Brasil

Números que Definem a Crise

O volume e a sofisticação dos ataques cibernéticos contra o Brasil atingiram níveis sem precedentes em 2025, consolidando o país como um dos principais alvos globais. O estudo Identity Fraud Report 2025/2026 identificou 315 bilhões de tentativas de ataque apenas no primeiro semestre, o que corresponde a 84% de todas as ofensivas na América Latina.

Ataques multifatoriais e uso de IA

O Brasil registrou mais de 470 mil ataques DDoS no segundo semestre de 2025, liderando a América Latina com quase metade de todos os incidentes da região. No acumulado do ano, a América Latina inteira superou a marca de 1 milhão de ataques DDoS.

O relatório da NETSCOUT destacou que aproximadamente 42% dos ataques foram multifatoriais, combinando de dois a cinco métodos diferentes ao mesmo tempo. Alguns desses ataques mudaram de estratégia durante a própria execução para burlar sistemas de defesa. O uso de inteligência artificial por atacantes cresceu de forma expressiva, com um aumento de 219% nas menções a ferramentas maliciosas baseadas em IA em fóruns clandestinos.

Vetores de Ataque Predominantes

O ano de 2025 consolidou três movimentos que mudaram o ritmo da cibersegurança no país: o crescimento do uso de IA tanto por atacantes quanto por defensores, o amadurecimento do modelo de extorsão em escala industrial (ransomware combinado com vazamento e pressão pública) e a elevação do papel da inteligência de ameaças como insumo para decisões estratégicas de negócio.

Ransomware como Indústria

O ransomware cresceu 25% globalmente, com grupos operando sob o modelo RaaS (Ransomware as a Service). Na América Latina, foram identificadas 2.302 vítimas em sites de vazamento apenas no primeiro trimestre de 2025, o maior número registrado desde 2020.

Phishing potencializado por IA 

Ferramentas de IA generativa permitem que atacantes criem até dez mil e-mails de phishing personalizados por minuto, tornando as mensagens praticamente indistinguíveis das legítimas.

Deepfakes em escala. 

Os incidentes envolvendo deepfakes baseados em IA cresceram 3.000% em 2025. Criminosos utilizam áudios e vídeos falsos de executivos para autorizar pagamentos fraudulentos e alterar dados bancários de fornecedores.

Ataques à Cadeia de Suprimentos

O ataque a uma empresa de software que atende instituições financeiras brasileiras, revelado em julho de 2025, expôs como fornecedores terceirizados se tornaram elos frágeis da cadeia de segurança nacional.

Engenharia Social com IA

A combinação de CPFs vazados, dados de redes sociais e documentos falsificados por IA permite golpes de identidade sintética que atingem perfis vulneráveis, como idosos e pequenos empreendedores.

Setores Mais Impactados

O setor financeiro permaneceu como alvo prioritário, respondendo por mais de 40% dos incidentes registrados em 2024. A digitalização acelerada, a popularização do PIX e a grande base de usuários explicam por que o Brasil se tornou alvo preferencial. Além do setor financeiro, setores públicos, de saúde, educação e varejo também estiveram entre os mais atingidos.

Ecossistema de Segurança Ofensiva Brasileiro

Pentest e Red Team: Maturidade Crescente

O mercado brasileiro de pentesting e red teaming evoluiu consideravelmente nos últimos anos, funcionando como uma ação contínua em empresas de médio e grande porte. Empresas nacionais como Tempest, Conviso, DeepStrike, Clavis, Módulo, Redbelt Security, e Vantico consolidaram portfólios que cobrem desde testes de aplicações web e mobile até simulações avançadas de adversários.

Bug Bounty: Um Mercado em Expansão

O mercado de bug bounty no Brasil, embora ainda em estágio de maturação em comparação com os Estados Unidos e a Europa, apresenta crescimento acelerado. A BugHunt, lançada em 2020 como a primeira plataforma brasileira do segmento, já identificou mais de 270 vulnerabilidades e reúne mais de 12 mil pesquisadores cadastrados.

Em março de 2025, a HuntersPay, plataforma focada em segurança ofensiva e bug bounty, firmou parceria com a Oi Soluções, que atende cerca de 43 mil empresas. A expectativa é ampliar o acesso ao modelo no mercado corporativo brasileiro. Já em junho de 2025, durante a Febraban Tech, foi lançada a VulneraPro, considerada a primeira solução de bug bounty voltada ao setor corporativo no Brasil. Essa solução aplica o modelo de recompensa por identificação de falhas para que hackers éticos descubram vulnerabilidades antes que sejam exploradas por criminosos.

Empresas como OLX, TIM Brasil e instituições financeiras já adotaram programas de bug bounty como complemento aos processos tradicionais de pentest. A TIM, por exemplo, contratou a BugHunt para gerenciar seus programas e relatou ter descoberto vulnerabilidades que não eram identificadas pelos testes convencionais. 

O mercado brasileiro de bug bounty é disputado pelas plataformas americanas HackerOne e BugCrowd e pelas nacionais BugHunt e HuntersPay.

Cyber Range e CTF: Formação Prática

Seguindo tendências internacionais, universidades e instituições de ensino brasileiras estão adotando plataformas de cyber range para treinamento realista de profissionais de segurança. O Exercício Guardião Cibernético (EGC), considerado o maior exercício cibernético de simulação do Hemisfério Sul, reúne forças armadas, setor público e privado em cenários de crise que simulam ataques reais com táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) de atores maliciosos conhecidos.

A comunidade brasileira de Capture The Flag (CTF) também permanece ativa, com eventos regulares no Roadsec, H2HC (Hackers to Hackers Conference) e Mind The Sec, considerado o maior evento de cibersegurança da América Latina. Essas competições funcionam como porta de entrada para novos talentos no mercado de segurança ofensiva.

Regulamentação e Compliance como Catalisadores

LGPD: Cinco Anos e uma Nova Fase

Em setembro de 2025, a LGPD completou cinco anos de vigência, marcando a transição de uma fase predominantemente educativa para uma postura sancionadora mais incisiva por parte da ANPD. O órgão foi transformado em agência reguladora, adquirindo poderes ampliados de fiscalização, normatização e sanção.

No primeiro semestre de 2025, a ANPD aplicou mais de 120 autos de infração, totalizando R$45 milhões em multas previstas. Ainda no final de 2024, a autoridade já havia iniciado uma fiscalização em massa contra 20 empresas de grande porte, incluindo gigantes da tecnologia como TikTok, Uber, Serasa e Vivo. Essa postura menos tolerante da ANPD criou demanda direta por serviços de segurança ofensiva, uma vez que as empresas agora precisam demonstrar concretamente que adotam medidas técnicas e administrativas para proteger dados pessoais.

O STJ consolidou entendimento de que a responsabilidade civil por vazamento de dados independe de culpa (artigo 42 da LGPD), favorecendo consumidores lesados e elevando o risco jurídico para empresas que não investem em segurança. Esse cenário regulatório impulsiona diretamente a contratação de pentests, red teams e programas de bug bounty como evidência de due diligence.

Agenda Regulatória 2025/2026

A Agenda Regulatória da ANPD para 2025/2026 traz temas prioritários que reforçam a demanda por segurança ofensiva:

  1. Regulamentação dos Direitos dos Titulares: Finalização prevista para 2025, com consulta pública e novas obrigações de transparência para as organizações.
  2. Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD): Exigência crescente, com regulamentação detalhada prevista para o início de 2026. Cada vez mais solicitado nas auditorias.
  3. Portaria sobre IA (n.º 5/2024): Estabelece princípios de transparência, auditabilidade e viés ético no uso de algoritmos que processam dados pessoais.
  4. Transferências Internacionais (Resolução nº 8/2025): Detalha salvaguardas necessárias para exportação de dados ao exterior, incluindo cláusulas contratuais padrão da ANPD.
  5. PEC da Segurança Cibernética: Em discussão no âmbito legislativo, com foco em elevar a cibersegurança como pilar da defesa nacional.

Compliance Setorial

Além da LGPD, setores regulados impõem requisitos próprios que demandam testes ofensivos. O setor financeiro, regulado pelo Banco Central, endureceu suas regras de cibersegurança após os incidentes de 2025. Segundo levantamentos do setor, 85% das instituições financeiras brasileiras planejavam aumentar investimentos em segurança digital. Normas como PCI DSS, ISO/IEC 27001, SOC 2 e o NIST Cybersecurity Framework são amplamente utilizadas como referência.

Déficit de Talentos em Segurança Ofensiva

A Dimensão do Problema

O Brasil enfrenta uma escassez crítica de profissionais qualificados em cibersegurança. A Fortinet estima que o país necessita de aproximadamente 750 mil especialistas na área. A consultoria IDC projetou um déficit de 140 mil profissionais especificamente em cibersegurança, dentro de um gap mais amplo de 530 mil profissionais de TI, segundo estimativas do Google em parceria com a Abstartups. 

A demanda por profissionais de segurança ofensiva, como pentester, red teamer e pesquisador de vulnerabilidades, é particularmente aguda. O Glassdoor lista dezenas de vagas abertas para Red Team no país, com empresas como Ambev Tech, Unico e Bidweb Security competindo por talentos limitados.

Causas e Desafios

A maioria das escolas técnicas e faculdades oferece formações genéricas em engenharia ou sistemas de informação, delegando a preparação específica para as empresas. Países como Emirados Árabes e Canadá atraem talentos brasileiros com ofertas de trabalho remoto e salários em moedas internacionais. Além disso, apenas 25% dos profissionais de cibersegurança no Brasil são mulheres, indicando um enorme potencial não aproveitado.

A formação prática tem se mostrado essencial para reverter esse quadro. A parceria entre o Instituto de Pesquisa Facens e a Lenovo, por exemplo, apresenta resultados promissores: 90% dos concluintes do curso de pós-graduação em cibersegurança estão empregados na área. Empresas como a Redbelt Security adotam estratégias de contratação de profissionais vindos de outras áreas, investindo fortemente em capacitação interna.

Panorama do Déficit de Talentos

Indicador Estimativa Fonte
Déficit geral em cibersegurança Aproximadamente 750 mil profissionais Fortinet
Déficit específico (sec. ofensiva) Aproximadamente 140 mil profissionais IDC
Gap geral de TI no Brasil Aproximadamente 530 mil profissionais Google / Brasscom
Participação feminina 25% dos profissionais Fiesp
Faixa salarial (BR) R$ 2.500 a R$ 20.000+ Análise de Mercado

 

Inteligência Artificial e Segurança Ofensiva

IA Ofensiva: O Novo Paradigma

A inteligência artificial age como um motor de ataques massivos, rápidos e adaptáveis. No Brasil, onde uma nova tentativa de fraude ocorre a cada 2,2 segundos, essa evolução tornou-se um risco operacional crítico. A IA ofensiva altera a própria natureza do ataque, deslocando a necessidade de defesa de perímetros estáticos para monitoramento contínuo e adaptável.

Malwares que incorporam modelos de machine learning, operando de forma autônoma e adaptativa, marcam uma nova fase do cibercrime. Cavalos de Troia como o Crocodilus demonstram a capacidade de realizar fraudes em tempo real, executando ataques de Device Takeover de forma sincronizada. A IA generativa permite a criação de e-mails de phishing e páginas de login falsas virtualmente indistinguíveis das originais, potencializando o fator humano, que, segundo estimativas, é responsável por 95% das violações de dados.

IA Defensiva e Agentic SOC

Do lado defensivo, a previsão para 2026 é de adoção acelerada de agentes de IA executando workflows e decisões dentro de SOCs, pipelines de TI e fluxos de negócio. O conceito, batizado de “Agentic SOC”, traz ganhos de velocidade, mas também novos riscos, como prompt injection industrializado e a necessidade de tratar agentes como identidades digitais distintas, sob princípios de least privilege.

Tecnologias como NG SOC, NG SIEM, honeypots e ferramentas avançadas de detecção de vulnerabilidades zero-day tendem a se tornar padrão em 2026. O investimento em inteligência de ameaças (CTI) cresceu expressivamente: 76% das empresas pesquisadas investem mais de US$250 mil por ano em threat intelligence, e 91% pretendem aumentar esse investimento em 2026.

Shadow AI: Um Risco Emergente

Cresce a preocupação com a Shadow AI, fenômeno em que empresas adotam modelos de inteligência artificial internos sem governança clara, ampliando riscos de vazamento de dados e ataques por prompt injection.

Esse risco exige que profissionais de segurança ofensiva incorporem testes de modelos de IA ao seu portfólio, avaliando vulnerabilidades específicas de sistemas baseados em inteligência artificial.

Investimentos e Mercado

Orçamentos de Cibersegurança

Segundo a MarketsandMarkets, os gastos globais com segurança cibernética devem atingir aproximadamente US$240 bilhões em 2026, representando um aumento de 12,5% em relação a 2025. Mais da metade dos tomadores de decisão em tecnologia de segurança prevê crescimento significativo do orçamento no próximo ano. Destes, 15% planejam aumento superior a 10%, enquanto 40% esperam crescimento entre 5% e 10%.

Na América Latina, porém, o cenário é mais complexo. Segundo a OEA, os países latino-americanos investem menos de 1% do PIB em segurança cibernética, valor muito inferior ao dos países desenvolvidos. No Brasil, os orçamentos de cybersecurity em 2025 foram conservadores, com crescimento médio de apenas 4% em relação a 2024, metade da média de 8% registrada nos cinco anos anteriores. Por outro lado, o mercado de cibersegurança da América Latina deve atingir US$40,9 bilhões até 2033, conforme projeção da IMARC Group.

Investimentos Governamentais

O governo federal ampliou os repasses ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que cresceram 39% em termos reais, passando de R$2,4 bilhões em 2022 para R$3,33 bilhões em 2025. Foram investidos R$96 milhões em equipamentos de menor potencial ofensivo e R$155,2 milhões em câmeras corporais para forças policiais. A Polícia Federal apreendeu mais de R$9,6 bilhões em bens ligados a facções criminosas em 2025, um aumento de 64% em relação ao ano anterior.

Investimentos Federais em Segurança (FNSP + Funpen)

Ano Total (R$ bilhões) Variação
2022 2,40 (base)
2025 3,33 +39% (real)

 

Tendências e Perspectivas para 2026

O ano de 2026 promete ser o mais crítico em termos de ciberataques no Brasil, com intensificação de fraudes financeiras, golpes via PIX e ataques sustentados por IA e falhas de terceiros. As tendências a seguir devem moldar o cenário da segurança ofensiva.

Da Reação à Prevenção

O Brasil precisa sair do modelo reativo para o preventivo. Para isso, quatro mudanças estruturais são consideradas essenciais. 

A primeira é governança forte, com patrocínio direto do conselho de administração. A segunda é a cultura de responsabilidade compartilhada entre as áreas de tecnologia, jurídico, risco e fraude. A terceira envolve uma regulação mais clara, com fiscalização efetiva sobre fornecedores críticos. E a quarta é a mudança técnica propriamente dita: abandonar o foco em perímetro e adotar a gestão contínua da exposição a ameaças (CTEM).

Zero Trust como pré-requisito

A arquitetura Zero Trust deve agir como exigência de compliance em setores regulados. Em paralelo, a criptografia pós-quântica ganha destaque, impulsionada pelo avanço da computação quântica e pela discussão da PEC de Segurança Cibernética no Congresso Nacional.

Consolidação do Mercado

O mercado de segurança ofensiva brasileiro tende a se consolidar, com movimentos de aquisição e parcerias estratégicas. A tendência é a oferta de serviços 360° em segurança digital, integrando segurança ofensiva e defensiva em plataformas unificadas.

Seis Fraudes Prioritárias no Radar

Especialistas da ViperX e do Grupo Dfense destacam seis modalidades de fraude que devem se intensificar ao longo de 2026:

  1. Deepfakes de voz e vídeo simulando parentes ou executivos, combinados com a engenharia social em tempo real.
  2. Sites falsos e phishing realísticos para roubo de credenciais e MFA, mirando bancos e carteiras digitais.
  3. Golpes personalizados atingem perfis vulneráveis, como idosos e pequenos empreendedores.
  4. Áudios e vídeos falsos de CFO ou CEO autorizando pagamentos ou alterando dados bancários.
  5. Identidade sintética combinando CPFs vazados, dados de redes sociais e documentos falsificados por IA.
  6. Extorsão corporativa utilizando vazamentos e deepfakes para pressionar colaboradores-chave.

Recomendações Estratégicas

A fim de se preparar para os próximos desafios, elaboramos as seguintes recomendações para empresas brasileiras que buscam elevar sua postura de segurança ofensiva.

Para Empresas

  1. Adotar programas contínuos de segurança ofensiva. 

Migrar de pentests pontuais para modelos de Pentest as a Service (PTaaS), Red Team continuado e Gestão Contínua de Exposição a Ameaças.

  1. Implementar ou aderir a programas de bug bounty

Seja por meio de plataformas nacionais (BugHunt, HuntersPay ou VulneraPro) ou internacionais (HackerOne, BugCrowd).

  • Incluir testes de modelos de IA no escopo de segurança ofensiva. 

Avaliar riscos de prompt injection, vazamento de dados por Shadow AI e robustez de sistemas baseados em IA.

  1. Elevar a cibersegurança ao nível do conselho de administração. 

Tratar a segurança como investimento estratégico, não como custo de TI, medindo o risco cibernético na mesma régua que o risco de crédito e o operacional.

  1. Validar a cadeia de suprimentos. 

Estender avaliações de segurança a fornecedores críticos, que se tornaram o principal vetor de ataque nos últimos anos.

Para o Ecossistema

  1. Investir massivamente em formação prática

Ampliar parcerias entre academia e indústria, com ênfase em cyber range, CTF e treinamento hands-on.

  • Promover diversidade. 

Criar programas específicos para atrair mulheres e profissionais de áreas adjacentes para a cibersegurança.

  1. Regulamentação proporcional. 

A ANPD e o legislativo devem equilibrar rigor fiscalizatório com apoio a pequenas e médias empresas, que representam 77% das organizações ainda não adequadas à LGPD.

  1. Cibersegurança como infraestrutura crítica. 

O governo deve tratar a segurança cibernética como pilar de defesa nacional, com integração entre órgãos civis, agências de inteligência e estruturas militares.

Cibersegurança como infraestrutura crítica de confiança

O estado da segurança ofensiva no Brasil reflete um país em transição. De um mercado historicamente reativo e fragmentado, o ecossistema caminha para a profissionalização e a prevenção. 

As ameaças nunca foram tão sofisticadas, potencializadas por inteligência artificial, pela industrialização do cibercrime e pela exploração de cadeias de suprimentos. Ao mesmo tempo, o ecossistema de defesa também nunca foi tão robusto.

O amadurecimento regulatório (com a LGPD completando cinco anos, a agenda da ANPD em plena execução e as discussões sobre a PEC da Segurança Cibernética), a consolidação de empresas nacionais de referência, o crescimento do bug bounty e a adoção de modelos contínuos de segurança ofensiva indicam que o Brasil tem as condições necessárias para reduzir sua superfície de ataque. Em 2026, espera-se que a automação ofensiva escale muito mais rápido que a defensiva.

Tratar a cibersegurança como infraestrutura crítica de confiança é uma parte essencial deste processo. A Vantico atua com Pentest e Red Team, no formato de consultoria. Todas as entregas acompanham relatórios executivos e técnicos, com insights acionáveis e classificação de vulnerabilidades conforme risco de exploração e impacto, conforme a demanda crescente do mercado atual.

Para descobrir mais insights sobre o pentest no Brasil, confira o e-book Inside Pentesting 2026.

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Júlia Valim Júlia Valim

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