Pentest: Como Funciona, Etapas, Tipos e Por Que Sua Empresa Precisa

Pentest: Como Funciona, Etapas e Tipos

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Toda semana alguma empresa brasileira aparece nos noticiários depois de sofrer um vazamento de dados ou um ataque de ransomware.

O que poucas divulgam é que, em boa parte dos casos, a vulnerabilidade explorada já existia há meses. O problema é que ninguém havia percebido. E é exatamente isso que o pentest resolve.

Neste guia, você irá entender o que é pentest e como ele funciona na prática, quais são os tipos disponíveis, quanto tempo leva, o que esperar de um bom relatório e como escolher o fornecedor certo para a realidade da sua empresa.

Se você é CISO, CTO ou profissional da área de segurança da informação e está na dúvida se o pentest pode ajudar sua organização, este conteúdo é para você.

O que é pentest?

Pentest (penetration testing, ou teste de intrusão em português) é um processo autorizado de simulação de ataques cibernéticos reais contra sistemas, redes, aplicações ou ambientes de nuvem de uma organização.

O objetivo é identificar vulnerabilidades exploráveis antes que agentes maliciosos o façam.

Você pode pensar no pentest como a contratação de profissionais de segurança, chamados de ethical hackers ou red teamers, para atacar os sistemas da empresa de forma controlada. Cada falha encontrada é documentada junto de seu potencial impacto nos negócios.

 

Diferentemente de um scan automatizado, o pentest envolve o raciocínio humano, criatividade e encadeamento de vulnerabilidades.

O profissional replica o ataque exatamente como um invasor sofisticado agiria. E o resultado não é apenas uma lista de CVEs, mas provas concretas de quais brecha poderiam ser exploradas e qual seria o dano real para o negócio.

Além de identificar que existe uma janela aberta no décimo andar, o pentest mostra que é possível chegar até ela e o que um intruso levaria ao entrar.

Como funciona o pentest: passo a passo

Um pentest profissional deve seguir uma metodologia estruturada e validada pelo mercado.

As principais referências são o PTES (Penetration Testing Execution Standard) e o OWASP Testing Guide.

Por isso, a lógica do processo se mantém consistente em qualquer abordagem séria:

Fase 1: planejamento e definição de escopo

Cliente e equipe de pentest definem os ativos a serem testados (IPs, domínios, aplicações, etc.), os limites do teste, janelas de tempo e regras de engajamento.

Um Acordo de Escopo assinado protege ambas as partes legalmente. Aqui também se define se o teste será black box, gray box ou white box.

Fase 2: reconhecimento (reconnaissance)

Os testers coletam informações sobre o alvo usando técnicas passivas (como OSINT, Google Dorking, análise de DNS, LinkedIn e Shodan) e ativas (port scanning, fingerprinting de serviços, etc).

Quanto mais informações coletadas, mais eficiente será o ataque simulado.

Fase 3: scanning e enumeração

Ferramentas como Nmap, Nessus e Burp Suite mapeiam portas abertas, serviços em execução, versões de software e possíveis pontos de entrada.

As vulnerabilidades conhecidas (CVEs) são correlacionadas com a infraestrutura do cliente.

Fase 4: exploração de vulnerabilidades

Essa etapa é o coração do pentest.

Os testers tentam, de fato, explorar as vulnerabilidades identificadas:

  • Um SQL Injection foi testado.
  • Uma das configurações de S3 é acessada.
  • Uma senha fraca é quebrada.

O objetivo é provar o impacto real, não apenas listar hipóteses.

Fase 5: pós-exploração e movimento lateral

Após o acesso inicial, os testers tentam escalar privilégios, mover-se lateralmente pela rede e alcançar ativos críticos, como o banco de dados de clientes, os sistemas financeiros e o Active Directory. Isso simula como uma ameaça persistente avançada (APT) se comportaria.

Fase 6: relatório e plano de remediação

A entrega mais importante: um relatório técnico e executivo com cada vulnerabilidade encontrada, seu CVSS score, evidências de exploração, impacto de negócio e um roadmap priorizado de remediação. Bons fornecedores incluem reteste após as correções.

Tipos de pentest

Existem diferentes modalidades de pentest, cada uma cobrindo uma superfície de ataque específica.

A escolha de qual será testado depende dos ativos mais críticos da empresa:

 

Tipo O que avalia Indicado para
Aplicação Web Portais, SaaS, APIs.

Cobre o OWASP Top 10: injeção, XSS, IDOR, SSRF e outros.

E-commerces, fintechs e qualquer sistema com login público.
Rede e Infraestrutura Firewalls, VPNs, switches, servidores e segmentação de rede. Empresas com data center próprio ou ambiente híbrido.
Nuvem (AWS/Azure/GCP) IAM, buckets expostos, permissões excessivas e serviços com erros de configuração. Empresas cloud-first ou em processo de migração.
Mobile (iOS/Android) Armazenamento inseguro, tráfego não criptografado e lógica de autenticação. Aplicativos com dados pessoais, financeiros ou de saúde.
Engenharia Social Phishing, vishing, pretexting.

Avalia o fator humano da segurança.

Qualquer empresa, pois o colaborador costuma ser o elo mais frágil.
Red Team Simulação completa de um APT combinando vetores técnicos, físicos e sociais. Empresas com SOC (Security Operations Center) maduro que desejam testar detecção e resposta.

 

Cada tipo pode ser conduzido em três abordagens distintas:

  • No Black Box, o testador não tem nenhuma informação prévia sobre o alvo, simulando um atacante externo.
  • No Gray Box, ele recebe informações parciais, como um usuário interno com intenções maliciosas.
  • Já no White Box, tem acesso completo ao código e a arquitetura, o que maximiza a cobertura do teste.

Confira nosso artigo sobre Black, Gray e White Box.

Pentest vs. vulnerability assessment

Essa é uma das confusões mais comuns no mercado de segurança. Os dois são complementares, mas servem a propósitos distintos:

Critério Vulnerability Assessment Pentest
Objetivo Identificar e listar vulnerabilidades. Explorar e provar o impacto real.
Abordagem Principalmente automatizada. Manual combinada com ferramentas especializadas.
Profundidade Ampla cobertura com pouca profundidade. Escopo focado com alta profundidade.
Resultado Lista de CVEs e scores de risco. Evidência de exploração com impacto de negócio.
Encadeamento de falhas Não realiza. Sim, simula um ataque real em cadeia.
Frequencia ideal Contínua ou mensal. Anual, semestral ou após grandes mudanças.
Custo médio Mais acessível. Mais elevado, pois exige horas de especialista.

 

O que a Vantico recomenda: combinar as duas abordagens.

O vulnerability assessment monitora a superfície de ataque de forma contínua, enquanto o pentest valida periodicamente o que pode ser explorado na prática.

A plataforma Vantico integra as duas capacidades em um único painel de gestão.

Quanto tempo leva e quanto custa um pentest?

Tipo de Pentest Duracao Tipica
Aplicacao web pequena ou media 5 a 10 dias uteis
API REST ou GraphQL 3 a 7 dias uteis
Infraestrutura de rede (ate 256 IPs) 7 a 15 dias uteis
Ambiente de nuvem (AWS, Azure ou GCP) 7 a 14 dias uteis
Red Team completo 3 a 6 semanas

 

Quanto custa?

O custo de um pentest no Brasil varia de acordo com o escopo, a profundidade e a metodologia aplicada.

Projetos de aplicações web mais simples podem começar em torno de R$15.000. Já as avaliações de infraestruturas complexas ou exercícios de Red Team podem ultrapassar R$150.000.

A Vantico oferece planos que se adaptam ao tamanho da operação e à frequência de testes necessária.

Perspectiva de ROI

O custo médio de um vazamento de dados no Brasil em 2024 foi de R$6,75 milhões, segundo o IBM Cost of a Data Breach Report.

Um pentest que previne um único incidente paga seu custo dezenas de vezes.

Quem deve contratar um pentest?

A resposta objetiva é: qualquer empresa que tenha dados ou sistemas que não podem ser comprometidos. Mas existem contextos em que o pentest passa de recomendado a indispensável:

  • Empresas em processo de certificação ISO 27001, SOC 2 ou PCI-DSS, pois o teste de intrusão (ou ações que provem proatividade na proteção dos dados) é um dos requisitos das normas.
  • Fintechs e instituições financeiras reguladas pelo Banco Central, conforme a Resolução CMN 4.658/2018.
  • Health Techs e hospitais que processam dados sensíveis de saúde, sob a LGPD e as orientações da ANPD.
  • E-commerces e marketplaces com dados de cartão e identidade de milhares de usuários.
  • Empresas de SaaS B2B que precisam demonstrar segurança para fechar contratos com grandes clientes corporativos.
  • Organizações em processo de IPO ou em operações de fusão e aquisição, onde o due diligence de segurança impacta o valuation.
  • Qualquer empresa após um incidente de segurança, para entender o vetor de ataque utilizado e garantir que a brecha foi fechada.

Como escolher um bom fornecedor de Pentest?

O preço mais baixo raramente é o melhor critério. Avalie os seguintes pontos antes de contratar:

  1. Metodologia documentada e reconhecida

O fornecedor deve seguir padrões como PTES, OWASP ou NIST SP 800-115. Peça a metodologia por escrito antes de assinar qualquer contrato.

  1. Certificações dos profissionais

Busque por fornecedores cujos pentesters possuam certificados OSCP, OSWE, CRTO, CREST ou equivalentes.

Essas certificações comprovam profundidade técnica e atualização constante.

  1. Qualidade do relatório

Peça um exemplo de relatório antes de contratar. Um bom documento deve ter seção executiva para o C-level, secao tecnica para o time de desenvolvimento e infraestrutura, e plano de remediação priorizado por nível de risco.

  1. Reteste e suporte pós-entrega

O trabalho não se encerra com a entrega do relatório. Verifique se o fornecedor oferece reteste gratuito após as correções e suporte técnico durante o processo de remediação.

Isso ajuda a garantir que as correções foram eficientes, e que novas vulnerabilidades não surgiram no processo.

  1. Plataforma de gestão ou apenas PDF

Fornecedores modernos entregam os achados em plataforma com atualização em tempo real e integração com Jira, GitHub ou ServiceNow. Isso reduz significativamente o tempo entre a identificação da falha e a correção.

Perguntas Frequentes sobre Pentest

Pentest é o mesmo que hacking ético?

Na prática, os termos são usados com a mesma finalidade.

Hacking ético é o conceito mais amplo, que engloba qualquer atividade de segurança ofensiva realizada com autorização formal.

Pentest é uma forma específica e estruturada de hacking ético, com escopo, metodologia e entregáveis bem definidos.

Meus sistemas vão ficar fora do ar durante o teste?

Em um pentest bem planejado, raramente.

Os testes são conduzidos de forma cuidadosa para evitar interrupções, com janelas de manutenção acordadas quando necessário.

Exceções podem ocorrer em testes de negativa de serviço (DoS),mas  sempre com ciência e aprovação prévia do cliente.

Com que frequência devo realizar um pentest?

A recomendação padrão da indústria é de fazer ao menos uma vez por ano, ou sempre que houver mudanças significativas na infraestrutura, como o lançamento de um novo sistema, uma migração para nuvem ou a aquisição de outra empresa.

Organizações com maior maturidade em segurança tendem a realizar testes com maior frequência ou de forma contínua.

O pentest garante que não vou ser hackeado?

Nenhuma prática de segurança oferece garantia absoluta.

O que o pentest garante é que as vulnerabilidades existentes no momento do teste foram identificadas, documentadas e comunicadas.

Por isso a periodicidade importa tanto: novas vulnerabilidades surgem constantemente, já que o ambiente muda, o código evolui e as técnicas de ataque também.

Preciso de pentest se já tenho um SOC?

Sim. Um SOC (Security Operations Center) é reativo por natureza: ele detecta e responde a ameaças que já estão acontecendo.

O pentest é proativo: encontra as brechas antes que alguém as explore.

Ou seja, ambas se complementam.

Qual a diferença entre pentest interno e externo?

No pentest externo, o tester simula um atacante sem acesso prévio à rede corporativa, tentando entrar pelos perímetros públicos, como aplicações web, VPNs e e-mails corporativos.

No pentest interno, por outro lado, ele está dentro da rede, simulando um funcionário mal-intencionado ou um atacante que já obteve acesso inicial. O ideal é realizar os dois.

 

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Júlia Valim

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