Voltar para o blog

Cibersegurança na Black Friday: 7 Cenários de Ataque para Testar

21/10/2026 15 min de leitura
Cibersegurança na Black Friday: 7 Cenários de Ataque para Testar

Resumo:

  • O período de Black Friday amplia mais do que o tráfego: aumenta logins, pagamentos, chamadas de API, mudanças de infraestrutura, uso de terceiros e pressão sobre equipes internas.
  • A superfície que precisa ser testada vai além da loja virtual e inclui contas de clientes, APIs, checkout, painel administrativo, cloud, integrações, suporte e processos de recuperação de acesso.
  • Os cenários mais relevantes combinam abuso de credenciais, falhas de autorização, lógica de negócio, skimming digital, automação maliciosa, indisponibilidade e engenharia social.
  • Nem todo teste deve ser feito da mesma forma: Pentest, Security Review, simulações de engenharia social, validações de bot/rate limiting e testes de resiliência têm objetivos diferentes.
  • O ideal é testar com antecedência suficiente para corrigir, retestar e estabilizar o ambiente antes do pico, e não introduzir mudanças de segurança de última hora.

A Black Friday costuma ser tratada como um desafio de capacidade: mais acessos, mais pedidos, mais pagamentos e mais pressão sobre infraestrutura. Mas, do ponto de vista de segurança, o que muda é mais do que isso.

Durante o pico, aumentam ao mesmo tempo o número de logins, chamadas de API, tentativas de pagamento, alterações operacionais, integrações com parceiros, tickets de suporte e decisões tomadas sob urgência. Isso amplia a superfície operacional da empresa e cria condições em que comportamentos maliciosos podem se misturar ao volume legítimo.

Na parcela do e-commerce brasileiro monitorada pela Serasa Experian entre 27 e 30 de novembro de 2025, foram registrados 4,9 milhões de pedidos, tendo 22.295 operações classificadas como tentativas de fraude, com potencial de mais de R$ 24 milhões em perdas. Esse número ajuda a dimensionar por que eventos de alto volume exigem olhar simultaneamente para as fraudes, disponibilidade e vulnerabilidades técnicas.

Antes da Black Friday, além de checar a capacidade do ambiente no pico, é essencial avaliar quais caminhos de ataque ganham força sob pressão. 

Os 7 cenários que merecem ser testados

Cenário O que pode acontecer O que validar antes do pico
Credential stuffing e account takeover Contas legítimas são acessadas com credenciais reutilizadas ou vazadas Login, MFA, recuperação de conta, rate limiting e sessões
Abuso de lógica de negócio Cupons, preços, limites e fluxos de compra são manipulados Validação no servidor, regras de negócio e sequências de operações
Abuso de APIs Endpoints expõem dados ou funções para o usuário errado Autorização, tenants, APIs mobile, parceiros e rate limiting
Engenharia social contra operação e suporte Funcionários são induzidos a liberar acesso ou alterar contas Help desk, resets, aprovações, phishing e vishing
E-skimming e terceiros no checkout Script malicioso captura dados durante a compra Scripts, tags, plugins, checkout e integridade da página de pagamento
Bots e indisponibilidade Automação maliciosa degrada login, estoque, APIs e checkout Bot controls, rate limits, filas, WAF/CDN e resiliência
Exposição criada por mudanças de última hora Escala, debug, permissões e serviços temporários viram novos pontos de entrada Cloud, IAM, ativos expostos, painéis e mudanças emergenciais

1. Credential stuffing e account takeover no pico de logins

A época da Black Friday concentra autenticação: clientes antigos voltam à plataforma, novos usuários criam conta, aplicativos renovam sessões e campanhas aumentam o tráfego em páginas de login. Esse volume é exatamente o tipo de ruído em que tentativas automatizadas de acesso podem se esconder.

No credential stuffing, o atacante testa combinações de e-mail e senha obtidas em vazamentos anteriores. O alvo não precisa ter sido vazado pela própria empresa: basta que o cliente tenha reutilizado uma senha comprometida em outro serviço.

No relatório de fraude citado pela TransUnion Brasil em 2025, o volume de account takeover cresceu 21% no período analisado. Para uma operação de varejo, a consequência pode ir do uso indevido de saldo e benefícios até a alteração de dados, pedidos fraudulentos e acesso ao histórico do cliente.

O que testar

  • Proteção contra tentativas automatizadas e repetidas de login.
  • MFA em fluxos sensíveis e contas administrativas.
  • Recuperação de senha e recuperação de conta.
  • Sessões, revogação de tokens e dispositivos já autenticados.
  • Mudança de e-mail, telefone, endereço e dados de pagamento.
  • Processos de suporte usados para recuperar ou alterar uma conta.

2. Manipulação de preço, cupom, cashback e fluxos de compra

Nem todo ataque relevante para a Black Friday começa com uma vulnerabilidade clássica. No varejo, algumas das falhas mais caras aparecem quando a aplicação executa uma regra de negócio válida para a pessoa errada, na ordem errada ou sem validar os limites esperados.

É o caso de descontos que podem ser combinados de forma indevida, regras de frete que aceitam valores inconsistentes, limites de compra que podem ser contornados, pedidos que avançam para um estado que não deveria ser possível ou operações de reembolso que confiam demais no cliente.

Um exemplo foi analisado pela Vantico: o loop causado pela combinação do gift card com os cupons de desconto.

Esse tipo de falha tende a ganhar relevância na Black Friday porque promoções temporárias, regras novas e integrações comerciais são frequentemente colocadas em produção pouco antes do pico.

O que testar

  • Se preço, desconto e quantidade são validados no servidor e não apenas na interface.
  • Combinações de cupons, cashback, gift cards e benefícios.
  • Limites por usuário, CPF, conta ou pedido.
  • Mudanças de estado do pedido e cancelamento.
  • Fluxos de devolução e reembolso.
  • Condições especiais de pagamento, frete e estoque.
  • Sequências de operações que podem gerar vantagem indevida.

No estudo de caso da Galax Commerce, a Vantico mostra como falhas de lógica de negócio fazem parte do escopo real de um Pentest em e-commerce.

3. APIs sob pressão: autorização, scraping e abuso de endpoints

Em muitos varejistas, a loja é apenas uma das interfaces. O mesmo backend atende ao aplicativo mobile, marketplace, parceiros, logística, antifraude, CRM e outros serviços. Na Black Friday, o volume dessas chamadas cresce junto com o tráfego visível.

O principal risco é um endpoint continuar funcionando e entregar dados ou executar funções para quem não deveria.

Falhas como BOLA/IDOR, autorização por função inadequada, versões antigas de API, limites mal definidos e inventário incompleto podem permitir acesso cruzado entre usuários, abuso de funções internas ou automação em escala.

Saiba mais sobre a segurança de APIs aqui.

O que testar

  • Autorização por usuário, objeto, função e tenant.
  • APIs consumidas por aplicativo mobile e canais parceiros.
  • Rate limiting e controles contra automação abusiva.
  • Endpoints antigos, versões de API e documentação exposta.
  • Fluxos de pagamento, estoque, pedido e entrega.
  • Webhooks e integrações de terceiros.
  • Diferenças de comportamento entre site, app e API direta.

4. Engenharia social contra suporte, operação e contas administrativas

Esse período de vendas em alto volume também pressiona o time da empresa. Atendimento recebe mais chamados, times de marketing fazem mudanças rápidas, fornecedores precisam de acesso, operações ajustam regras e áreas técnicas lidam com incidentes e exceções.

Para um atacante, isso cria uma oportunidade: um pedido urgente para resetar uma senha, liberar um usuário, trocar um número de telefone, alterar uma conta administrativa ou “corrigir” rapidamente uma configuração pode parecer plausível no meio da operação.

Esse é o ponto em que phishing, vishing e pretexting deixam de ser apenas um problema de conscientização e passam a testar o processo da empresa.

O que testar

  • Como o help desk valida a identidade antes de resetar a senha ou o MFA.
  • Como mudanças em contas administrativas são aprovadas.
  • Se fornecedores e agências possuem acessos excessivos ou compartilhados.
  • Como o time reage a e-mails e ligações urgentes em nome de lideranças ou parceiros.
  • Contas de marketing, marketplace, pagamento e infraestrutura que não deveriam depender apenas de senha.
  • Procedimentos de escalonamento quando uma solicitação foge do padrão.

5. E-skimming: quando o checkout funciona, mas os dados são roubados

Um dos cenários mais perigosos do e-commerce é aquele em que a compra continua funcionando normalmente. O cliente paga, recebe a confirmação e a empresa não percebe que um script malicioso está capturando dados durante o processo.

Ataques de e-skimming, frequentemente associados ao termo Magecart, inserem código malicioso em páginas de pagamento ou em componentes carregados pelo checkout. O PCI Security Standards Council já destacou esse vetor no contexto brasileiro e, em 2025, publicou orientação específica para proteção de páginas de pagamento e prevenção de e-skimming.

Na Black Friday, o risco surge em tags de marketing, plugins, bibliotecas, gateways e outros scripts de terceiros que também entram na cadeia de confiança.

O que testar

  • Quais scripts são carregados nas páginas de checkout.
  • Quem pode alterar tags e componentes de terceiros.
  • Plugins e extensões instalados na plataforma.
  • Possibilidade de injetar JavaScript em fluxos de pagamento.
  • Integridade e mudanças inesperadas na página de pagamento.
  • Acessos administrativos ao CMS, ao tag manager e à plataforma de e-commerce.
  • Controles exigidos pelo PCI DSS quando aplicáveis ao ambiente.

6. Bots e indisponibilidade: nem todo tráfego é cliente

O pico da Black Friday mistura consumidores reais com scraping, automação, credential stuffing, tentativas de esgotar estoque e tráfego criado para degradar a aplicação.

Globalmente, a Akamai observou mais de 17 trilhões de requisições de bots contra o setor de comércio em 2025 e registrou crescimento de ataques web contra APIs. No mesmo ano, a Cloudflare reportou aumento de 121% no número total de ataques DDoS observados em sua rede.

Isso releva que, em uma data de pico, distinguir tráfego legítimo de automação hostil se torna mais difícil e uma degradação pequena pode ter impacto financeiro imediato.

O que testar

  • Rate limiting em login, busca, carrinho, checkout e APIs.
  • Controles de bot e regras de WAF/CDN.
  • Filas e mecanismos de degradação controlada.
  • Comportamento do sistema quando um serviço dependente fica lento.
  • Proteção de endpoints com alto custo computacional.
  • Alertas para picos anormais por origem, conta ou operação.
  • Capacidade de bloquear automação sem impedir consumidores legítimos.

Um cuidado importante: o Pentest não substitui teste de carga ou exercício de DDoS. Testes volumétricos devem ser coordenados com infraestrutura, provedores e mecanismos de proteção, em condições controladas. A avaliação de segurança pode validar controles e caminhos de abuso sem criar indisponibilidade real.

7. Mudanças de última hora em cloud e infraestrutura

Um dos cenários que mais preocupam antes de eventos sazonais não é uma vulnerabilidade nova. É a mudança emergencial feita para garantir que a operação aguente o pico.

Times ampliam capacidade, criam novos serviços, alteram regras de CDN e WAF, aumentam permissões, liberam acessos temporários, sobem ambientes de apoio e conectam fornecedores. Cada exceção pode ser legítima e, ainda assim, abrir uma nova superfície.

Problemas típicos incluem storage exposto, permissões de IAM amplas demais, painéis administrativos acessíveis pela internet, ambientes de teste esquecidos, endpoints de debug e credenciais temporárias que permanecem válidas depois do evento.

O que testar

  • Inventário real dos ativos que estarão expostos durante o evento.
  • Permissões de IAM e acessos temporários.
  • Buckets, storage e serviços publicados externamente.
  • Painéis administrativos e endpoints de gestão.
  • Ambientes de staging, debug e homologação.
  • Secrets, tokens e credenciais usados por automações.
  • Regras temporárias de firewall, CDN e WAF.
  • Plano para remover exceções depois do pico.

O que testar primeiro quando o tempo é limitado?

Nenhuma empresa consegue testar tudo antes de uma data sazonal. O objetivo deve ser reduzir o risco onde uma falha teria maior impacto durante o pico.

Prioridade Pergunta Exemplos
Receita O que pode impedir ou manipular uma venda? Checkout, pagamento, preço, cupom ou estoque
Identidade O que permite assumir uma conta? Login, MFA, recuperação ou admin
Dados Onde há dados pessoais ou de pagamento? Cadastro, APIs, checkout ou CRM
Dependências O que pode quebrar por causa de um terceiro? Gateway, antifraude, logística ou scripts
Disponibilidade Quais funções não podem degradar no pico? Login, busca, carrinho, pagamento ou APIs
Mudanças recentes O que foi alterado especificamente para a Black Friday? Cloud, regras de acesso, promoções ou integrações

Um plano para as semanas antes da Black Friday

Momento Objetivo Ações recomendadas
6 a 8 semanas antes Descobrir exposição e definir escopo Mapear ativos, APIs, cloud, terceiros e mudanças previstas. Priorizar sistemas críticos
4 a 6 semanas antes Testar cenários ofensivos Pentest Web/API, lógica de negócio, checkout, autenticação e acessos críticos
2 a 4 semanas antes Corrigir e validar Remediar findings, executar retestes e ajustar controles de bot, WAF, IAM e suporte
1 a 2 semanas antes Estabilizar Reduzir mudanças não essenciais, revisar exceções, acessos temporários, alertas e contatos de incidente
Após o evento Fechar o ciclo Remover acessos e regras temporárias, revisar incidentes, métricas, findings e melhorias para o próximo pico

Evite o erro de testar tudo na última semana

Um pentest entregue na véspera da Black Friday tem valor limitado se não houver janela para remediação. O mesmo vale para as simulações de phishing, revisões de cloud ou mudanças de WAF feitas às pressas.

A segurança pré-Black Friday precisa terminar em um ambiente mais estável. A sequência certa é testar, corrigir, retestar e estabilizar.

Como a Vantico pode apoiar a preparação para eventos de alto volume

Na Black Friday, o risco não está apenas em uma vulnerabilidade isolada. Está na combinação entre aplicações expostas, APIs, acessos administrativos, integrações, fornecedores e processos que passam a operar sob muito mais pressão.

É esse cenário que a Vantico ajuda a validar antes do aumento de tráfego.

Com Pentest, Security Reviews e simulações de Engenharia Social, é possível testar os pontos mais críticos da operação a partir de diferentes perspectivas: desde falhas técnicas em aplicações e APIs até caminhos de ataque que dependem de identidade, acesso ou interação humana.

Nosso objetivo primordial é encontrar os riscos relevantes com tempo para a equipe corrigir, priorizar e validar as mudanças antes do pico.

Além disso, a Vantico oferece reteste ilimitado por até 90 dias, sem custo adicional. Isso permite que as correções sejam verificadas à medida que são implementadas.

Se a Black Friday é uma data crítica para a sua operação, o teste precisa acontecer enquanto ainda existe tempo para agir sobre o que for encontrado.

Entre em contato conosco e comece seu teste.

FAQ: Perguntas Frequentes sobre segurança cibernética na Black Friday

Quais ataques são mais relevantes na Black Friday?

Credential stuffing, account takeover, abuso de APIs, manipulação de lógica de negócio, phishing, skimming digital, bots e ataques de indisponibilidade estão entre os cenários que merecem atenção. A prioridade depende da arquitetura e da operação de cada empresa.

Pentest antes da Black Friday é suficiente?

Não necessariamente. Pentest cobre exploração e lógica de negócio, mas outros riscos podem exigir Security Review, simulação de engenharia social, teste de carga, validação de DDoS ou revisão de controles antifraude.

Quando fazer Pentest para a Black Friday?

O ideal é começar com antecedência suficiente para corrigir e retestar vulnerabilidades antes do pico. Para ambientes complexos, quatro a oito semanas costumam ser uma janela mais útil do que testar na última semana.

DDoS deve ser testado durante um pentest?

Não como um teste volumétrico comum. Exercícios de DDoS e carga precisam de planejamento específico e coordenação com infraestrutura e provedores para evitar indisponibilidade real.

Por que APIs merecem atenção especial na Black Friday?

Porque site, app, parceiros, pagamentos e integrações frequentemente dependem das mesmas APIs. Um aumento de volume ou uma falha de autorização pode afetar vários canais ao mesmo tempo.

Black Friday aumenta o risco de phishing interno?

Sim, porque urgência, mudanças excepcionais e maior volume de chamados podem tornar solicitações fraudulentas mais plausíveis. O risco é especialmente importante em suporte, administração e contas privilegiadas.

 


Júlia Valim Júlia Valim

Agende uma demonstração com a Vantico

Agendar demonstração